O FUNDADOR DE SETE LAGOAS
Em 1700, João Leite da Silva Ortiz, um típico representante da raça do sertanista de São Paulo, filho de Estevão Raposo Bocarro e de sua mulher, D. Maria de Abreu Pedroso Leme, sobrinha de Fernão Dias Pais e tataraneto de Brás Cubas, veio para Minas. O que caracterizava os paulistas nos primórdios do século XVIII era a instabilidade. Não se demoravam em lugar algum. Sempre à procura de melhores faisqueiras, aventuravam-se à descoberta de novos sertões. Este é o caso típico de João Leite da Silva Ortiz. Em janeiro de 1711, obteve a Sesmaria do Cercado. No mesmo ano, 8 de fevereiro, obtinha a de Sete Lagoas. Esta última por um lapso qualquer, não ficou registrada nos livros da Secretaria do Governo. Lá ficou apenas o título, com a página em branco.
Mas João Leite da Silva poucos anos permaneceu na posse do seu sítio das Sete Lagoas; dispôs dessa e da Sesmaria do Cercado, seguindo para São Paulo a fim de preparar expedição a Goiás, onde criou várias fazendas, seis das quais menciona em seu tratamento feito em Recife, a 3 de dezembro de 1736 (Francisco de Assis Carvalho Franco, Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil). Vendendo tudo que tinha em Minas, dando "por um o que valia dez", seguiu para São Paulo, com seu irmão, Capitão Bartolomeu Bueno da Silva, organizou um corpo de 500 homens e marchou para Goiás.
Em Minas, a Sesmaria das Sete Lagoas foi concedida a Antonio Pinto de Magalhães. Existe o documento da concessão da sesmaria, no qual Antonio Pinto de Magalhães afirma que a comprara de João Leite da Silva Ortiz, o qual ali se instalara no ano de setecentos.
Depois de Antonio Carvalho de Figueiredo, não conseguimos quais os que o sucederam na posse da Fazenda das Sete Lagoas, quando, afinal, nos aparece o Sargento-mor Antonio Francisco Sarzedas, em 1885, como vendedor do referido imóvel ao Sr. José Inocêncio Pereira.
Pelo exposto acima, a Casa Grande, que a tradição nos aponta como primitiva sede da Fazenda das Sete Lagoas, parece Ter sido construída pelo Sr. José Inocêncio Pereira.
FUNDAÇÃO
A região foi descoberta pela Bandeira de Fernão Dias Paes, por volta de 1677. Desvinculando-se da expedição de seu pai, Garcia Paes prosseguiu sua jornada pelo interior indo acampar às margens do Ribeirão Matadouro, na planície de Sete lagoas. Na Várzea de João Corrêa surgiram as primeiras casas de marco do nascimento de Sete Lagoas. De 1677 até meados do século XVIII, a região progrediu pouco, continuando porém a ser cortada em todas as direções por aventureiros, atraídos pelas notícias da fartura dos lagos da planícies e das riquezas de minério e calcário.
Tribos nômades e a união com os nativos, a partir de então, fizeram com que a população aumentasse num clima de trabalho e harmonia. Daí Sete Lagoas começou a surgir. Em 1711, João Leite da Silva Ortiz, sobrinho de Fernão Dias, obteve da Coroa Portuguesa a sesmaria das Sete Lagoas (cerca de duas léguas de terras), vendendo-a no mesmo ano a Antônio Pinto de Magalhães.
Na primeira metade do século XVIII, sendo a região passagem obrigatória para os currais baianos, foi instalado na sesmaria um registro de gado. Na mesma época criou-se o Quartel Geral das Sete Lagoas, cujo objetivo era o de fiscalizar e impedir o extravio de ouro e diamantes. Mesmo assim, a região permaneceu praticamente estagnada durante quase um século. Dia primeiro de janeiro de 1762 foi instalada aqui a "Casa dos Rendimentos"- uma espécie de coletoria de rendas para cobrar os impostos devidos à Coroa. Foi em função da cobrança de impostos, o policiamento das "estradas do sertão" e guarda das minas contra a ação dos ladrões e aventureiros, que o alferes da Cavalaria Montada de Minas, Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes - veio para Sete Lagoas, aqui residindo possivelmente entre 1780 e 1781. O povoamento intensificou-se de fato, a partir de 1820, quando foi construída a Capela de Santo Antônio das Sete Lagoas, hoje Catedral de Santo Antônio, a qual era subordinada à matriz do Curral del Rei. A paróquia de Sete Lagoas foi criada em 1841, quando o crescimento da região já começava a se tornar evidente. O povoado passou a distrito em 1847, pertencendo ao Município de Santa Luzia. Em 24 de novembro de 1867, pela lei nº 1395, foi elevado à categoria de cidade, com o nome que ostenta atualmente. O município foi instalado em 27 de novembro de 1871.
* Equipe de Divulgação
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